Imprensa

(…) Com uma estética muito diferente, “Sundance Sequence”, de Luís Tinoco, marcou pelo seu irresistível humor. Trata-se de uma obra programáticapara a qual o compositor fornecia um texto hilariante baseado numepisódio verídico ocorrido nos arredores de Londres: a epopeia de umporco (Sundance), que fugiu de um matadouro e a sua captura. No meiodas suas peripécias “o porco tenta exorcizar os seus receios cantandofragmentos de ‘Rituel’ de Boulez, harmonizados ao estilo de Hollywood”e, no final, “sonha com fragmentos de ‘Ritual’ de Chick Corea,harmonizados ao estilo de Darmstadt”! O trocadilho é genial e, aindaque a última caricatuira tivesse passado musicalmente despercebida, apeça conseguiu reflectir de modo sugestivo as delirantes imagens dotexto. Uma salutary lufada de ar fresco num meio demasiadocircunspecto”. (…)

Cristina Fernandes, O Público, 24 Março 1999

(…)“Antípoda”, para 15 instrumentistas, de Luís Tinoco, fechou o concertoem festa. Começa num swing difícil e delicado, mas imediatamentecontagiante, como se fora uma (excelente) banda de jazz contemporâneo;gradualmente somos reconduzidos, no lugar da improvisação, ao universoda imprevisibilidade erudita, até que desembocamos nos antípodas dapulsão rítmica; esse é, porém, apenas um só momento, pois Luís Tinoco,sem deixar um só instante de estimular a nossa atenção, passa depois adescarregar toda uma bateria de imaginação, com uma riqueza decombinações instrumentais e de pensamento contrapontístico, que nãopôde deixar de gerar entusiástica adesão e admiração.

Manuel Pedro Ferreira, “O Público”, 21 de Julho 2001.

(…)Da peça de Luís Tinoco, “Invetion on Landscape”, Ioannides salientou a“sólida escrita e a sua qualidade sonora”, que aproximou dominimalismo: “Foi concebida como um momento contínuo (daí a sua ligaçãocom o minimalismo), no qual é dado especial ênfase à variedade dascores tímbricas e harmónicas, tendo como resultado um efeito muito‘visual’.”

Sarah Ioannides – citada por Teresa Cascudo

(…)Por último, Luís Tinoco pôs um cantor (o barítono Luís Rodrigues) ecinco percussionistas no lugar dos dançarinos e conseguiu criar umapertubadora ilusão: fazer-nos “ver” a música como movimento em estadopuro. O compositor explorou com subtileza e imaginação aspossibilidades do naipe de percussão, tanto tímbrica como poeticamente,contando aliás com a magnífica colaboração dos membros do grupoDrumming. A ligação da partitura com a iluminação, também coordenadapelo compositor, foi especialmente bem conseguida. Sendo esta, aliás,uma associação ainda relativamente rara em Portugal, não deixa desuscitar algumas questões a propósito das limitações do tradicionalformato do concerto clássico para a apresentação de músicacontemporânea.

Teresa Cascudo , Público, 22 de Junho 2003

(…) Luís Tinoco criou uma subtilíssima partitura para barítono e quinteto de percussão (…).

(sobre a estreia de Imaginary Dancescape – a melodrumming after Cocteau, Culturgest, Junho de 2003)

Cristina Peres, Expresso, 28 Junho 2003 [suplemento “Actual”]

Invenção sobre Paisagem(2001) para orquestra de solistas, de Luís Tinoco, confirma o gostodeste compositor por combinações tímbricas de peculiar luminosidade epela criação de texturas refinadas em sucessão lenta, num gesto geralalgo «escandinavo». A finalizar a primeira parte, ouviu-se em estreiamundial Lappic,de Tapio Tuomela. Foi curioso ouvir o Tinoco e o Tuomela em sucessão,já que são obras onde o conceito de paisagem é preponderante.

Bernardo Mariano, DN, 25 de Novembro 2003

(…)Por último, o CD [Galliard Ensemble – Deux-Elles, DXL 1084] inclui astrês obras escritas por Luís Tinoco para quinteto de sopros: “AutumnWind” (1998), “Light-Distance” (2000) e “O curso das águas” (2001). Éaliciante comparar a distância que existe entre a primeira e as duasúltimas peças, que demonstram a progressiva solidez da sua escrita e aconsistência das suas referências poéticas, elementos que vão tornandoa sua personalidade musical cada vez mais inconfundível.

Teresa Cascudo, Público, 27 Novembro 2003

(…)Mind the Gap, de Luís Tinoco (1969), quatro andamentos que sedesenvolvem sobre diferentes zonas da marimba, como um diálogo interno,uma errância. Uma peça curta, de grande poder descritivo.

Maria Gonçalves de Sousa, Jornal de Letras, 7 de Janeiro 2004

(…)A sensação de movimento é acentuada, ao longo do registo [Light –Distance, Portuguese Wind Quintets | Galliard Ensemble | Deux-Elles DXL1084, UK], pelas belíssimas obras de Luís Tinoco “Light – Distance” e“Autumn Wind”. Ou pela contemplação que o próprio movimento exige, em“O Curso das Águas”.

Maria Gonçalves de Sousa, Jornal de Letras, 4 de Fevereiro 2004

(…) Do ponto de vista estético, a peça [Round Time]de Luís Tinoco tem uma abordagem mais abstracta, que se inscreve numalinhagem modernista mostrada, por exemplo, nas reminiscências de Ligetiou de Adams. Nela conseguiu com sucesso a ilusão de transformar o somem espaço, uma ideia que perpassa, aliás, por toda a sua obra.
Teresa Cascudo, Público, 25 de Julho 2004

(…)As execuções de “Antípoda” (1999), de Luís Tinoco, e de “Eulogy”(2003), de Mark-Anthony Turnage, destacaram-se entre os melhoresmomentos do concerto. Tinoco, cuja obra é regularmente tocada no ReinoUnido, é um dos valores seguros da música portuguesa contemporânea.Isto evidenciou-se na sua peça, que apresenta uma ideia poéticaclaramente desenvolvida, efeitos sonoros belíssimos e um assombrosodomínio da estrutura.

Teresa Cascudo, Público, 11 de Outubro 2004

[crítica ao concerto "South!" - OrchestrUtopica, Purcell Room, 8 de Outubro 2004 - Atlantic Waves Festival ]

(…)”Zapping”, de Tinoco, insere-se brilhantemente num dos aspectos maisevidentes da situação pós-moderna, as práticas de paródia, aludindodirectamente às Sinfonias nº 102 de Haydn e nº 39 de Mozart, que foramapresentadas no mesmo concerto. “Zapping” é isso mesmo, a deslocaçãorápida de materiais musicais, como se fôssemos sintonizando sucessivospostos radiofónicos, nos quais ouvíamos designadamente as referidassinfonias.

Augusto M. Seabra, Público, 15 Novembro 2004

[crítica ao concerto "4 Postais de 4 Compositores Portugueses a Haydn e a Mozart”]

(…) Tinoco é um construtor de paisagens musicais – não por acaso, duas das suas mais relevantes peças têm por título Antipode e Invention on Landscape.O seu pensamento é fundamentalmente harmónico, de acordes, vertical,delineando subtis curvas de mobilidade e texturas. Mas é também umpensamento com uma forte noção concreta do “som”, dessas texturas quecompõem as paisagens no tempo.

“As Paisagens Musicais de Luís Tinoco” | Augusto M. Seabra,

Público, 09 Maio 2005

(…)Na sexta-feira, o festival [Atlantic Waves] transferiu-se por um diapara a austera sala Purcell Room, onde o ensemble ingles Lontanointerpretou peças do compositor português Luís Tinoco e de outroscompositors contemporaneos. E foi outra excelente surpresa, com aspeças de Luís Tinoco a destacarem-se das restantes pela sua riquezamelódica e harmonica. No final, a música parece saída de um espectáculode teatro nô japonês e tudo faz sentido. (…)

António Pires | Blitz, 06 Dezembro 2005

(…)A cumprir a promessa de pelo menos um concerto de música erudite porano, o Atlantic Waves deslocou-se ao quarto dia para o Purcell Room (…)onde foram apresentadas duas peças de Luís Tinoco pelo EnsembleLontano: “Forgotten Places” e “Trois Poèmes de l’Orient” (CamiloPessanha, em tradução francesa, na interpretação da soprano EileenHulse), que recolheram o aplauso unânime da esparsa plateia. (…)

Miguel Francisco Cadete | Expresso, 03 Dezembro 2005

(…)Se a ideia é oferecer a prenda de uma vida, seja ou não Natal, hádiscos que a cumprem ou, pelo menos ficam muito perto da intenção. É ocaso de várias novidades, em CD e DVD, e de algumas reediçõespreciosas, que ganham visão de conjunto. Ao cimo da lista, o primeirodisco inteiramente dedicado a um compositor português, gravado poriniciativa de um grupo internacional: Obras de Câmara,de Luís Tinoco, pelo Ensemble Lontano, de Odaline de La Martinez (CDLorelt). Foi lançado no final de Novembro, em Londres, integra peçascompostas entre 1998 e 2004, constituindo uma visão fascinante dopercurso do compositor. O CD merece maior atenção e pode ser adquiridonas lojas on-line e através da editora, em www.lorelt.co.uk

Maria Augusta Gonçalves | Jornal de Letras, 07 Dezembro 2005 

(…) Ouviram-se músicas muito diferentes: umas perto do Jazz, como a composição para trompa de Laurent Filipe, outras performances-provocações,como a peça de Vítor Rua para trombone, outras ainda levando mais longea ideia de um novo virtuosismo, em composições muito interessantes comoas de Miguel Azguime, António Chagas Rosa, ou o “delírio” de LuísTinoco fabulosamente interpretado pela flautista Stéphanie Wagner. (…)

Pedro Boléo | “O Público”, 28 Setembro 2006

[Estreia de “The Delirium of My Desire” – projecto Consequenza, Homenagem a Luciano Berio – Remix Ensemble, Festival Internacional de Músicas de Hoje, Estrasburgo, Cité de La Musique et de la Danse]

(…)Tinoco revelou grande domínio da escrita, cada uma das três peçasapresentando uma atmosfera bem definida e a voz tratada sempre de formamuito lírica. Pela sua fusão de técnica, efeitos tímbricos e”orientalismos”, saliento a terceira.

Bernardo Mariano – Diário de Notícias, 11 de Dezembro, 2001

(…)”Três Poemas do Oriente” (2001), de Luís Tinoco (n. 1969), com textosde Camilo Pessanha, é uma partitura com uma invulgar capacidade desugestão poética (consonante com os textos), sendo especialmentenotáveis a subtileza na variação do movimento e o fino tratamento dastexturas, em que a voz se integra a princípio timidamente, quase comoum narrador, sendo depois, com não menos segurança, assimilada a uminstrumento. A soprano Nicole Tibbels acentuou, com uma interpretaçãoesplêndida e dicção praticamente perfeita, esta integração da voz natextura circundante, dando uma lição a todos os cantores feridos deegocentrismo ou incontinência da glote.

Manuel Pedro Ferreira – PÚBLICO – Terça-feira, 01 de Abril de 2003

(…)Saudei na altura particularmente “Zapping” de Luís Tinoco, brilhanteobjecto paródico, aludindo directamente às outras duas obras queconstavam do mesmo programa, as Sinfonias nº102 de Haydn e nº39 deMozart. Mas para além desse estatuto eminentemente circunstancial,”Zapping” foi afinal uma obra que deixou marcas. Com “SundanceSequence”, é uma das peças de Tinoco que ocorreu ao ouvir agora asbrilhantes “Histórias Fantásticas” sobre textos de Terry Jones (dosMonthy Python), encomenda da Orquestra Metropolitana de Lisboa, emapresentação conjunta com o São Luiz.

Osentido da narrativa e da direccionalidade musical, a pulsão, obrilhantismo da invenção tímbrica fazem de “Histórias Fantásticas” umnotável sucesso. E deu gozo, que é mesmo o termo, ver o comprometimentodo narrador João Reis ou dos músicos tão bem dirigidos por CesárioCosta, com grande destaque para o concertino Xuan Du.

Augusto M. Seabra – “Público” /  Mil Folhas – Sábado, 25 Março 2006

Pense-sena música de Luís Tinoco como num quadro cheio de cor e movimento. Asua expressão gosta de desafios. Desenvolve conceitos e, se forpreciso, subverte-os, perturba-os. Trabalha instrumentos come seencontrasse identidades. Os sons conversam, confrontam-se, expandem-se,contraem-se, sobrepõem-se, afastam-se. Se uma obra musical pudesse tercorrespondência imediata numa pintura, seria com Luís Tinoco.Dir-se-ia, então, tratar-se de um dos melhores artistas plásticoscontemporâneos. É, decerto, um dos mais importantes compositoressurgidos na última década.

Amúsica não é mais do que música. E isso é muito mais do que podeparecer. Na nova música, a percepção arrisca-se a não ser imediata.Luís Tinoco tem a seu favor um extraordinário bom gosto e umagenerosidade imensa. A sua expressão adquire densidade e torna-se cadavez mais incisiva e apurada. É uma linguagem que procura a essência dasimagens, a riqueza dos contrastes e abre espaços de liberdade. «Tenhosempre o cuidado de não impor nada pessoal», disse em entrevista ao JL,a 03 de Agosto de 2005. «Fico muito mais satisfeito se as pessoasconstruírem a sua própria memória».

LuísTinoco tem um novo disco. Reúne obras para agrupamentos de câmara,compostas entre 1998 e 2004, e foi gravado por iniciativa do EnsembleLontano, da maestrina Odaline de la Martinez, fundadora da Orquestra deCâmara de Londres e a primeira mulher a assumir a regência nosConcertos Promenade. Pela primeira vez, é possível perceber o caminhodo compositor, através de um conjunto substancial do obras, editadas emsimultãneo. Todas elas tiveram apresentações públicas, em Portugal ouno estrangeiro, muitas foram premiadas. É o caso de Antípoda, compostaem 2000 para o Fórum de Jovens Compositores da Unesco. O facto de aestreia ter ocorrido na Austrália, do outro lado do mundo, impôs a LuísTinoco a necessidade de trabalhar duas parses contrastantes que sedesenvolvem e se fundem num só gesto. A dualidade inerente à matériaviva, a conjugação de contrastes e as subtis progressões de cor que ossustentam, constituem factor determinante na sua obra.

TrêsPoemas do Oriente, vindos de Clepsydra, de Camilo Pessanha, são mais umexemplo. Exploram a musicalidade do poeta e o confronto aparente evital do próprio texto: o dualismo Oriente-Ocidente, a papelfundamental da morte na natureza da vida, a passagem do tempo e omovimento da água. O simbolismo de Pessanha oferece tudo o que umcompositor pode querer. Luís Tinoco aproveita cada instante, «tecendo»um processo de integração da voz no conjunto instrumental. Os trêspoemas foram estreados em Lisboa, em 2003, e são aqui cantados naversão francesa, pela soprano Eileen Hulse, aproveitando a tradução deChristine Pâris-Montech da obra do escritor.

ForgottenPlaces/Lugares Esquecidos, de 1998, apela a elementos de memória. Ocarácter define-se na exploração das texturas e na subtileza do«movimento musical» ao longo das quatro partes, que culmina nomagnífico encontro do piano com as cordas, marcando distâncias esuperando-as, quase em simultâneo. Tratamento semelhante percebe-se emSundance Sequence, de 1999, embora se prefigure um caso à parte, muitodistinto, para 11 instrumentos. À partida há uma divertida história defuga e libertação, mas o humor é um caso sério. O «drama» permitepremonições de perigo, assunção de risco, jogos de sombras, muita luz.Pelo meio, é possível exorcizar fantasmas e encontrar alguns dos maisfascinantes lugares da música contemporânea nos materiais de base. Porexemplo: Rituel, de Pierre Boulez, que «se funde» num «happy end» aojeito de Hollywood. Tudo se processa com elegância, impondo osinstrumentos de sopro e fazendo as cordas evoluir em seu redor.

ShortCuts e Invention on Landscape são as duas outras obras do CD. Aprimeira combina a ideia de atalho, a maneira mais râpida de ir de umlugar a outro, e a definição de secções precisas no discurso,considerando a possibilidade de levar o «gesto sonoro» ao essencial.Short Cuts foram compostos para saxofones e gravados pelo QuartetoApollo, em 2004. Agora o movimento é ampliado a três clarinetes,saxofone tenor, dois vibrafones, marimba e piano. Invention onLandscape/Invenção sobre Paisagem, no fecho do CD, explora a noção deespaço, outro elemento determinante na obra do compositor. É uma noçãosempre presente, marcada por um diálogo interno, uma errância e ocaminho que se abre, por desígnio, permitindo a quem ouve desvendar aessência das suas próprias paisagens.(…)

Maria Augusta Gonçalves,  Jornal de Letras – Março  2006

(…) OsContos Fantásticos, de Luís Tinoco, poderiam ser colocados no âmbito darelação entre ópera e cinema. Uso, porém, o termo ópera com enormeflexibilidade, já que, de facto, a voz humana que se ouve é a de umactor e os músicos da orquestra, em palco, são também personagens.Ainda, o que é paradoxal, é que custa imaginá-los reproduzidos em duasdimensões, limitados num ecrã.

Umadas peças intitula-se “A estrada rápida”. A partir de um texto de TerryJones (actor, realizador e escritor britânico, membro do grupo MonthyPython), essa fábula relata-nos a história de uma menina que, de formainexplicável, viaja a velocidade vertiginosa através de uma via rápida,atingindo espaços desconhecidos e vivendo situações assombrosas. Asensação da deslocação súbita apresenta também analogias com a maneiracomo pode abordada na escuta Round Time, a segunda obra orquestral deTinoco, escrita em 2002. Cores, e espaços são apresentados a longo doúnico andamento de que consta a obra com uma rapidez alucinante,mediante sucessivos impulsos, estruturas acumulativas e gestosascendentes. Em ambos os casos, é conseguido um momento – e um espaço -único e impossível de reconstituir através de meios de reproduçãomecánica, ao mesmo tempo que se transmite ligeireza, impacto,espectáculo.

LuísTinoco sublinha que em Round Time se preocupou principalmente com o queele denomina “problemas de dimensão”: a dimensão vertical – o que fazercom tantos instrumentos? – e a dimensão horizontal – como controlar osrecursos da orquestra no tempo?. A dimensão horizontal é aquela que seapreende mais facilmente numa primeira audição, ao longo da qual setorna evidente o efeito de continuum em que, usando as palavras deTinoco, “se encadeiam uma série de eventos sonoros dotados devisualidade, de certo modo como um conjunto de painéis de um políptico”.

O políptico organiza-se mediante referências, subtis e não explicitadaspelo compositor, a uma espécie de sinfonia, que começa com um primeirominuto de pura magia sonora. Depois desta introdução, que tem a virtudede nos colocar perante o nascimento de um acontecimento sonoro que temqualquer coisa de matérico, encontramos os gestos enfáticos queassociamos tradicionalmente ao primeiro andamento em forma de sonata. Aseguir, temos uma espécie de scherzo em que se evidencia as técnicas deescrita repetitiva, um momento de serenidade e, por último, um finaleque, embora preparado de forma evidente, nos conduz à súbitadesaparição do som. Este deixa de existir de forma tão misteriosa comoquando, no início, surgiu do nada.

Podeser, ainda, escutado como uma viagem pelas memórias que preenchem apaisagem sonora do século XX: de Stravinsky a Ligeti, de Copland aAdams, do jazz à música electrónica.

Teresa Cascudo, “Contemporá/âneas”, 16.01.2007

“Tinoco triunfa com Royal Philharmonic”

Coubeà Royal Philharmonic Orchestra estrear Search Songs, cinco canções parasoprano e orquestra sobre poemas ingleses de Alexander Search (FernandoPessoa), de Luís Tinoco (n. 1969). (…)

Sucedeu-lhea estreia da noite: as Search Songs, com a solista Yeree Suh. Paraprimeira tentativa de Tinoco no formato “voz solista+orquestra”, a obraimpressionou pela mestria que amiúde revelou na orquestração, sobretudonas duas canções mais vivas (2 e 4), ao passo que nas outras se poderáfalar de uma concepção de câmara alargada. Tinoco é expressivo, sedutore, aqui e ali, ácido, tirando partido da capacidade colorística que éum dos seus mais reconhecidos traços distintivos. A escrita para a vozsolista segue de perto a dramaturgia (1-3-5/2-4) do ciclo. Há um gostopela linha de canto no seu sentido tradicional, mas não há concessões,com frequentes idas aos sobregudos (e sustentados e em pp!) etrouvailles. (…)

Bernardo Mariano, Diário de Notícias, 4 Julho 2007

(…) Ouviu-seainda Ends Meet (de 2002), de Luís Tinoco, uma obra “sem princípio”(como se já tivesse começado antes de começar), comunicativa, com umritmo intenso e uma frescura irresistível.

Pedro Boléo – O Público, 31.10.2007

(…) O mundo poético e humorístico de Jones encontra em Luís Tinoco umainspiração feita de empatia e alegria: les beaux esprits serencontrent!

Quem gosta de boa música, de ler e ouvir dizer, aproveite esta ocasião.

Yvette Centeno (sobre, “Contos Fantásticos”) – Literatura e Arte, 10 Dez. 2007

(…) Ei-lo que volta a atacar, com Terry Jones… Não haverá melhor maneira de viver o Novo Ano. Parabéns Luís!

Yvette Centeno (sobre, “Evil Machines”) – Literatura e Arte, 03 Jan. 2008

(…) Este universo fantástico [de Terry Jones] foimuito bem captado pelo compositor Luís Tinoco. Mais do que procurar ocómico gratuito, a música de Evil Machines tem uma versatilidade e um”jogo de cintura” que dão uma surpreendente profundidade de texturas aesta fantasia. (…) [A música] atravessa géneros e desmonta clichés,num exercício que tem muito de colagem de referências da música paracinema, da ópera e sobretudo do musical. (…)

Pedro Boléo, O Público, 17 Jan. 2008

(…) [Evil Machines], um espectáculo onde (…) brilham os figurinos de Vin Burnham (…) e a música de Luís Tinoco, que atravessa géneros, desmonta clichés, num curioso exercício de colagem de referencias, entre a música para cinema, a ópera e o musical. (…) Um espectáculo que está algures entre o teatro musical e o filme de aventuras, entre a brincadeira de crianças e a denúncia de uma sociedade autoritária em que as máquinas servem apenas para subjugar os seres humanos.

Pedro Boléo, Ípsilon – O Público, 25 Jan. 2008

(…) É injusto deixar na sombra Luís Tinoco, cujo trabalho éigualmente memorável. Tinoco faz com a partitura o que Vin Burnham fazcom os brilhantes figurinos: pega nos modelos e estiliza-os (comalgumas distorções pelo caminho). Com os seus roncos e ritmos, algumasmáquinas compõem-se a si próprias. Há música concreta e contribuiçõeselectrónicas. Para o resto chega uma vintena de músicos da OrquestraMetropolitana de Lisboa com a percussão aumentada (direcção segura deCesário Costa). Tinoco é hábil a achar equivalentes musicais dostrocadilhos, do humor “zany” e do “nonsense”, que fazem as delícias dolibreto. A paleta exibe uma variedade esfusiante: do “swing” dosParquímetros à pompa e circunstância elgarianas com que o Avião levantavoo, não esquecendo o “parlando” do Melhor Aspirados do Mundo ou omatraquear pianístico que acompanha a Nuvem de Ferro. Avise-se já queas citações alheias não desmerecem uma linguagem própria, bastanteeclética. Há uma admirável (e raríssima) unidade de texto, música eencenação neste trabalho de criação colectiva. (…)

Jorge Calado, Actual – Expresso, 26 Jan. 2008

(…) Casa cheia, entusiasmo e aplausos para um espectáculo de teatro musical que agradará a toda a família. (…) Este é um dos trunfos desta produção: parcerias artísticas conceptualmente coesas e actuantes que partilham saberes específicos para uma unidade possível. (…) A música de Luís Tinoco serviu bem o conceito de encenação em quadros a acentuar (por vezes a ilustrar) a atmosfera ou a situação pedida pela narrativa. Partitura difícil bem executada pela Orquestra Metropolitana, dirigida com saber por Cesário Costa. E se as personagens se apoiaram nos fabulosos figurinos de Vin Burnham, estes integraram a criação musical de Luís Tinoco, confluindo no palco para os cantores. Desempenhos fluentes (canto e actuação) de todo o elenco que se divertiu, divertindo. (…) Quem também ganhou a aposta foi Jorge Salavisa que depois do êxito dos Contos Fantásticos, propiciou este segundo encontro da dupla Jones / Tinoco com a OML e Cesário Costa. Grande produção, cuidada e com muitos meios para ver e ouvir em inglês perfeito.

Helena Simões, Jornal de Letras, 30 Jan. 2008 

(…) Tinoco não temeu que Evil Machines se aproximasse do modelo do“musical”, embora de escrita mais complexa – e essa atitude é méritoseu, sinal de uma liberdade criativa em que os compartimentos da “highart” e da “low art” já não são estanques.

Aqui e além reaparece a influência de John Adams – justamente  exemplode uma situação composicional sem essas compartimentações – que tãoimportante é noutra obra de Tinoco, Round Time (…), a pulsãojazzistica é recorrente, as invenções tímbricas muitas, a escrita vocalé ágil. Só num momento, “We Have All Monsters”, me parece que ocompositor cedeu a uma facilidade de “canção”, porventura também porqueesse é um momento de “moralidade”.

Cabe falar ainda também de um notável elenco, quase todo jovem ourelativamente jovem, com o evidente destaque desse talento consumadoque é a soprano Ana Quintans, mas também, entre outros, de doiscantores que aqui confirmam serem casos a justificar atenção, o tenorFernando Guimarães e o barítono João Merino. E há a notar que estápatente o trabalho de “coaching”, que é mais que escorreita a pronúnciainglesa deste elenco português.

Mas cabe sobretudo falar de um exemplar trabalho de equipa, doentendimento Terry Jones-Luís Tinoco, dos contributos também dadirecção musical de Cesário Costa, à frente da Orquestra Metropolitanade Lisboa, ou do delineamento coreográfico de Paulo Ribeiro, dotrabalho de produção que implicou esta aposta do director artístico doSão Luiz, Jorge Salavisa, de um espectáculo com um valor tal que a sua“exportação” nada teria de surpreendente.

Augusto M. Seabra, Letra de Forma – Sobre “Evil Machines”

03 Fev. 2008

(…) Luís Tinoco é um dos mais brilhantes e inventivoscompositores portugueses. Invention on Landscape, uma das obrasincluídas neste disco, é particularmente sintomática, de modoexplícito, de uma sua característica distintiva: Tinoco é um construtorde paisagens musicais. O seu pensamento é fundamentalmente harmónico,delineando subtis curvas de mobilidade e texturas, mas também com umaforte noção concreta do “som”, dessas texturas que compõem as paisagensno tempo, e com um sentido narrativo muito particular.

De resto, atentando ainda aos títulos, poderá notar-se que não é sóInvention on Landscape, mas também Antipode e Forgotten Places, mesmoTrois Poèmes de l’Orient sobre poemas de Pessanha (embora esta se meafigure a obra menos convincente do presente conjunto), que têm essanoção evocativa de espaços e paisagens – espaços imaginários depaisagens musicalmente construídas.

Músico também de formação jazzística, Tinoco tem igualmente uma notávelsentido da pulsão e é plausível que essa marca de formação sejavectorial ao seu notório pendor por instrumentos de palheta, clarinetese saxofones.

Se há marcadamente nele um pensamento harmónico, não é em sentidoestático, mas no dessas curvas de mobilidades e texturas, com as quaisse prendem o sentido não só da pulsão como também da narratividade. Umaobra como Sundance Sequence, que tem um autêntico “script” (a que sedeverá atender no sentido evocativo de situações, que não propriamentedescritivo), revela também uma ironia muito peculiar, diria mesmohilariante na utilização paródica de referências, como a harmonização“hollywoodiana” de excertos de Rituel de Boulez ou na reestruturação aomodo da “escola de Darmstadt” de excertos de Ritual de Chick Corea(outro exemplo brilhante desta sua capacidade de trabalhar comoriginalidade o segundo grau é o uso de materiais da Sinfonia nº102 deHaydn e da Sinfonia nº39 de Mozart em Zapping).

Umas das vantagens de um disco deste como é a de possibilitar umretrato mais próximo do autor. E, nesse sentido, esta reunião de obras,em cuidadadas realizações, não só confirma as razões do interesse que otrabalho composicional de Luís Tinoco vinha suscitando, como configurasem margem para dúvidas uma personalidade de vincadas característicaspróprias. (…)

Augusto M. Seabra, Letra de Forma – Sobre “Luís Tinoco – Chamber Works” | CD Lorelt LNT 121

03 Fev. 2008

(…) Luís Tinoco no musical Evil Machines – umcompositor fino, ágil e exacto, de linguagem versátil, curioso eexploratório, sem medo da pincelada figurativa

Manuel Pedro Ferreira, O Público – 05 Fev. 2008

(…) Spam são os mails enviados em grande quantidade que nos enchem as caixas de correio electrónico. Há boatos, disparates, fraudes, publicidades, burlas, mentiras ou anedotas. Tinoco pegou em cinco mensagens destas e fez uma rica provocação a partir destes materiais pobres (como fizeram compositores de vanguarda nos anos 10 e 20 do século XX a partir de anúncios ou notícias absurdas de jornais), tomados como sinais virtuais do louco mundo contemporâneo. Em “Spam!” confunde-se a verdade e a mentira. Pouco importa isso. O ponto de partida do humor musical é a própria forma e a retórica do mail-boato, da publicidade enganosa ou do relato fabuloso dum acontecimento.

Mário Redondo leu e cantou com clareza os mails (em inglês), enquanto a orquestra de 16 músicos tocou muito bem a música enérgica, irónica e empolgante de Tinoco, sem dúvida um dos compositores mais livres e mais hábeis de hoje, e certamente um dos mais bem-humorados.

“Spam!” não surpreendeu só pelo humor, complementado com projecção vídeo dos títulos e de algumas palavras-chave. Marcou a noite pela intensa frescura e qualidade artesanal da sua música, inspirada na música americana do século XX (era esse o desafio), mas com uma voz própria. Montagem irónica de variedades, sim, mas também uma peça de surpreendente unidade estética. Tinoco foi capaz de “orquestrar” e-mails de charlatões (“Why I contacted you”) ou fazer subir o grau de sarcasmo em “Go, George, go!”, onde o pano de fundo do virtual é bem real – a guerra do Afeganistão. Há que lembrar que SPAM – Specially Processed American Meats – foi também o alimento enlatado que o Governo dos EUA produziu em grandes quantidades e ofereceu depois da Segunda Guerra.

(…) O Spam! costuma ser lixo. Aqui foi um acontecimento.

Pedro Boléo – O Público, 07 Nov. 2009

(…) E se a Sagração começa com um fagote, a “abertura” de Luís Tinoco (Before Spring) inverte as coisas e conclui-se, interrogativa, com um fagote sozinho, depois da saída de seis instrumentos de sopro do palco, que vão tocar para os dois lados da plateia. As cabeças dos espectadores giram, curiosas. Mas logo tudo se conclui, subitamente. Soube a pouco, mas estava cumprida a sua função: abrir, anteceder a Sagração, despertar para a cor. Concebida como homenagem livre à histórica partitura e pensada como fruto de uma sementeira (ou mais uma bifurcação da grande árvore stravinskiana), a peça de Tinoco que a Orchestrutopica tocou cuidadosamente pega em materiais e em gestos da seiva bruta de Stravinsky (sobreposições de acordes, um fragmento melódico, texturas) para criar algo que, apesar das afinidades escondidas, está bem distante das pulsões primitivas e das violências rítmicas da Sagração da Primavera.

Before Spring prefere investigar no interior dos timbres (e os sopros com papel decisivo), das novas possibilidades harmónicas e orquestrais que a Sagração abriu. A música dançou antes e depois da Primavera.

Pedro Boléo – O Público, 03 Jun. 2010
(…) “Short Cuts”, de Luís Tinoco – obra de uma surpreendente fluência e grande requinte tímbrico (…)
Rui Pereira – Ípsilon, Público, 2010
(…) Baptismo operático, Paint Me acusa as coordenadas de Tinoco enquanto criador, o que é sempre salutar: o inédito e o “peso” do género não alienaram o vocabulário pessoal. A própria tipologia do libreto já não surpreende, tratando- -se de Tinoco. Trata-se de um texto (de Stephen Plaice) que se destaca pela absoluta impotência das personagens masculinas (o mais improvável dos três, o revisor, é que fica com a girl, num sudden turn bem cinematográfico). (…) Cantores foram de facto o factor determinante da qualidade do espectáculo: pela boa incorporação dos papéis, fiabilidade vocal, capacidades histriónicas e por quase soar naturalíssimo o inglês de todos eles. Parabéns! Música de Tinoco rica em “golpes de asa”, surpreendente e sugestiva. E de tanto maior qualidade quanto maior espaço temporal as cenas lhe derem (um bom sinal para o futuro!). (…)
Bernardo Mariano – Diário de Notícias, 22 Dezembro 2010 

(…) A música heterodoxa de Luís Tinoco para esta ópera tem inegáveis virtudes: uma intensa capacidade comunicativa, uma capacidade de “pintar” (sugerir cores) por via de um trabalho rítmico e tímbrico apurado (…) para além de agilidade, variedade e sentido de humor. (…) Aqui, humor: uma ária em belcanto que leva ao colapso de uma cantora que tem de ser substituída por outra, vinda do público. Ali, algo mais: um belo momento coral em que todos cantam “Paint Me” – “Pinta-me, pinta-me / suplica o belo / mas é o pintor / que o pincel do pintor revela”. (…) “Paint Me” contou com um excelente naipe de seis cantores, todos muito desenvoltos em palco, onde se destacou Hugo Oliveira, impecável no papel de Howard. E atenção aos outros nomes na ficha técnica: são cantoras e cantores que estão a mudar o panorama do canto no teatro musical da actualidade. E finalmente – felizmente – havia Joana Carneiro para dirigir muito bem uma parte significativa da Orquestra Sinfónica Portuguesa, numa interpretação equilibrada e consistente, compreendendo e destacando as melhores virtudes da música de Tinoco. (…)

Pedro Boléo – Público, 22 Dezembro 2010

(…) Uma feliz coprodução deu à luz (e ao som) a nova ópera de Luís Tinoco sobre libreto de Stephen Plaice, “Paint Me”. (…) O espectáculo prova que, com as pessoas certas, é possível realizar coisas dignas e boas no domínio da ópera em Portugal. Embora sem rasgos de génio, a verdade é que não houve um único ponto fraco neste “Paint Me”. Tinoco tem a inteligência e o bom-senso de ir construindo, aos poucos, uma carreira de compositor de ópera. Tem também uma linguagem musical própria, que se ajusta à ópera: forte componente percutiva, invenção melódica e harmónica ansiando por liberdade e, agora, também uma significante parcela electrónica (com a ajuda de Carlos Caires). A caracterização musical dos personagens é cada vez mais sofisticada (e atenta às reviravoltas do libreto). Outra mais valia será a sageza da sua colaboração com os libretistas. (…) O curioso libreto mistura arte, sexo e religião, até um padre preocupado com exorcismos, como no tempo de Chaucer. (…) A cenografia e encenação de Rui Horta são escorreitas e eficazes. As partes vocais não são particularmente difíceis e os intérpretes saem-se bem, com destaque para o soprano de Raquel Camarinha. Uma vintena de músicos da OSP faz justiça à partitura, sob a regência atenta e dinâmica de Joana Carneiro. (…)

Jorge Calado – Expresso, 23 Dezembro 2010

(…) “A Ópera de Tinoco” – Sim, de Luís Tinoco e do libretista inglês Stephen Plaice, o novo tandem que já vimos individualmente há pouco tempo em Lisboa. Ora, desta vez, o acontecimento passou-se no palco do Grande Auditório da Culturgest, onde cenicamente choveu, tal como lá fora, e onde se esperou numa triste e abandonada estação de comboio, um mini-TGV, a andar, a andar.

Antes de viajarmos enfim a sério numa história nada séria, que reconhece a sua paternidade longínqua num dos contos de Canterbury de Chaucer. Que belo livro Canterbury Tales, já inspirou não poucas obras, quer teatrais, cinematográficas e, agora em Lisboa, também operáticas.

Encontro feliz. Feliz, na primeira linha, devido ao não-conformismo do próprio compositor, depois da Orquestra dirigida – invisível – Joana Carneiro e, last but not least, dirigida no palco por Rui Horta, que compreendeu o que é infantil nessa crazy comedy e que, simultaneamente, fortificou o trabalho pós-surrealista ao ajudar a passar o lado musical da contemporânea ópera de câmara, made in Portugal.

Talvez me engane, não conhecendo a metodologia do trabalho, mas pareceu-me que Rui Horta funcionou como um dramaturgista de facto, ao facilitar o conhecimento recíproco entre o palco e a plateia. O que se estilhaça, ele junta.

 Jorge Listopad – Jornal de Letras, 12 Janeiro 2011

 (…) A peça que dá o nome ao disco, “Round Time” (2002), é a única puramente orquestral e também a mais antiga. Com uma orquestra reforçada por uma generosa secção percutiva, Tinoco cria atmosferas variadas, espectrais mas também gravíticas, que mantêm o ouvinte num estado de suspensão animada. “Round Time” começa bem, com uns pingos sonoros, depressa interrompidos por assomos de imponência e lampejos impressionistas. A unidade da obra é conseguida através de uma insistente pulsação interior—alentada aqui e ali por impulsos de energia—, e o desfecho surge com um inesperado fogacho jazzístico. (…) Tinoco compõe bem para a voz—as óperas “Evil Machines” (2008) e “Paint Me” (2010) são prova disso — e tem colaborado com as três sopranos deste disco. “From the depth of distance” (2008), estreada pelas Orsquestras do Algarve e Sinfónica de Albany, recorre a fragmentos de Fernando Pessoa (“Ode Marítima”) e de Walt Whitman (“Passage to India”), na voz cristalina e luminosa de Ana Quintans. (…) [From the Depth of Distance] É, para mim, o highlight do programa—uma peça verdadeiramente mesmérica. O tema e o ritmo da viagem, do mar e do comboio estão presentes nos vocalizos da cantora e no seu balbuciar etéreo que nos embala e encanta.

Jorge Calado – Expresso, Maio 2013

 Luìs Tinoco (1969) è un compositore portoghese di cui si conoscevano discograficamente alcuni lavori da camera, sparsi tra raccolte compilative sui compositori portoghesi tra cui dei quintetti ai fiati (soprattutto “Light – distance,O curso das aguas” e “Short cuts” per 4 sassofoni), un quartetto d’archi in stile contemporaneo (“Quarteto” performato dagli Arditti String quartet) e una composizione per marimba, “Mind the gap”. In un àmbito totalmente diverso e particolarmente maturo, Tinoco adesso pubblica per la Naxos una serie di quattro composizioni orchestrali (Orquestra Gulbenkian di Lisbona) in cui si apprezza lo stile compositivo che spazia nei meandri dei contrasti timbrici tipici delle orchestre romantiche e soprattutto di quelle post-Stravinsky (Le sacre du printemps e simili), ma in una maniera molto personale: a differenza di quanto potete pensare, nel suo stile non troverete la debordante drammaticità del romanticismo, nè la continua forza d’impatto delle orchestre del novecento, nè tanto meno gli ostinati di Stravinsky; Tinoco conduce i temi in modo sommesso, con l’orchestra che si caratterizza per un entrata e una conduzione discreta, sognante, che può ben rifugiarsi in quel senso di incoscienza delle menti prodotto dal flusso artistico dell’impressionismo musicale. Solo nei momenti decisivi, la scrittura si erge formando incastri disorientati e disincantati. “Round Time” assomma tutte queste caratteristiche dentro di sè. Invece le successive composizioni aggiungono un’elemento in più: la vocalità come veicolo espressivo della narrazione di un testo poetico. Tinoco si affida a soprani diversi (Ana Quintans, Yeree Suh e Raquel Camarinha), introducendo accanto al solito flusso strumentale, la caratterizzazione della sua provenienza geografica che, quando non è totalmente presente (vedi “Cancoes do sonhador solitario”) si ascolta nella parte bassa della tonalità delle cantanti soprano, alternando la scrittura inglese per dedicarla a quella rientrante nella parte alta della tonalità (in questo senso “From the depth of distance”): qui gli accenti indiscutibilmente malinconici e pieni di vita della lingua portoghese, il tono austero ma sommesso del canto che si avvicina alla struttura di una song cycle (sebbene non lo sia soprattutto per via della durata delle composizioni), di quelle song cycle piuttosto lontane da quelle operazioni esibizionistiche e poco intime dell’opera, la sapienza nel costruire il flusso compositivo nel suo insieme ci restituiscono un compositore che a ben ragione affronta con personalità e gusto gli “old themes”, il suo è un marchio ben udibile in cui tutti gli elementi citati (struttura orchestrale, canto ed accenti linguistici, umori, etc.) sembrano svilupparsi tutti assieme e contemporaneamente. Questa pubblicazione si fregia della minuziosa descrizione di tutta la movimentazione orchestrale fatta nelle note di copertina da Marc-Andrè Dalbavie, un aspetto non secondario che dà la conferma della statura internazionale del compositore portoghese, ma non è il solo: in “Round time” sono ricercate ed azzeccate tutte le scelte, dalla nomina dei soprani al tipo di orchestrazione, dalla riproposizione dei testi di Fernando Pessoa, Almeida Faria (suo attuale ammiratore) e Walt Whitman, ai rapporti con la tonalità che conduce a linee compositive molto moderne nello spirito, che pur rimanendo inserite nell’alveolo della tonalità, sembrano arguire aspetti appartenenti al mondo del suo contrario (l’atonalità, la simpatia musicale per Berio e le parti meno chiare). E per quanto mi riguarda ritengo anche toccante la dedica di questo cd, fatta da Tinoco al compianto e giovane pianista e compositore Bernando Sassetti, un talento prematuramente scomparso qualche tempo fa in incredibili circostanze casuali.

Percorsi Musicali – Julho 2013

(…) The concert on Friday evening was a real highlight of my trip to IHS 45, with stellar performances from Abel Pereira (premiere of a new concerto by Luís Tinoco), Jasper de Waal (Mozart Concerto, K. 447), and Frank Lloyd (Britten Serenade).

James Boldin – Horn World – 4th August 2013

(…) The evening concert was a wonderful experience. Great discoveries have been a highlight of this symposium and the Horn Concerto by Luís Tinoco was no exception. Very atmospheric music beautifully performed.

Bruce Richards (*) – 17th Sept. 2013

(*) Co-Principal Horn with the Liège Royal Philharmonic.  Professor of Horn at the Liège Royal Conservatory

Luis Tinoco es uno de los compositores más interesantes de las últimas generaciones de la música portuguesa. Round Time fue una de las obras que con mayor fuerza marcaron su carrera y en ella Tinoco exhibe una rica paleta orquestal, capaz de inventar un mosaico de atmósferas sonoras muy contrastadas. Las restantes obras del disco son vocales, un terreno que Tinoco maneja a la perfección. From the Depth of Distance respondió a un encargo sobre los navegantes portugueses, aunque el músico prefirió centrarse en la idea del “descubrimiento interior”. Los poemas de Pessoa y Whitman son cantados por una soprano, que pasa de lo silábico a lo recitativo, con alguna sugerencia jazzística. Search Songs, es un cliclo que adquire tintes más dramáticos e incorpora recursos sonoros repetitivos. Finalmente, las Canções do Sonhador Solitário tienen un tono melancólico, con efectos sonoros muy sutiles, como la caja de música que se sugiere en la primera canción. Estamos ante un compositor muy fino que merece toda nuestra atención. Además, la Orquesta Gulbenkian es una de las mejores de Portugal y la producción se debe a Antena 2, la emisora clásica de la RTP, lo que demuestra todo lo que todavia puede hacer una radio publica por la difusión de la música de su país.

Clara Berea – Revista RITMO, nº 868 – Outubro 2013

David Alan Miller and the Albany Symphony have been Grammy nominated for their recording of John Corigliano Conjuror/Vocalise, featuring a percussion concerto written for Dame Evelyn Glennie, cast in six parts, showcasing three different percussion families solo and with orchestra in a 36-minute work with a satisfying cumulative effect. Miller also helms the Orquestra Gulbenkian in a recording of pieces by Portuguese-born Luís Tinoco, leading off with the percussion-heavy “Round Time.” Both CDs are excellent showcases of new music; both are on Naxos.
B. A. Nilsson – Metroland – 12 December 2013
(…) Before Spring é uma obra de várias faces que se compraz em frustrar expectativas, a começar pelas relacionadas com a Sagração stravinskiana de que “procede”, para enfim nos fascinar com os efeitos de espacialização no final, suma do já virtuoso manejo da grande orquestra que revela Tinoco. (…)
Bernardo Mariano – Diário de Notícias, 21 Janeiro 2014 
(…) Open source ranged far and wide in terms of ambition, scope, and attitude. There was room for pieces featuring cheeky allusions and playful “rewiring” of musical codes as well as epic-scale updatings of the Gesamtkunstwerkmeme and its goal of a total-immersion experience. Pieces like Spam! by the Portuguese composer Luís Tinoco (on hand as this year’s guest composer) offered a sardonically comic take on the flotsam and jetsam of spam email in our procrastination-information culture.
Thomas May – Memeteria – 19th February 2014 [reviewing Seattle Chamber Players' Icebreaker VII Festival]
(…) I also very much enjoyed Tinoco’s kaleidoscopically orchestrated ruminations in FrisLand, which he describes as “an imaginary voyage through an (also imaginary) sound-world inspired by Frisell’s music.”
Thomas May – Memeteria – 10th June 2014 [reviewing Seattle Symphony Orchestra "Sonic Evolution" concert]
(…) Nascido em 1969, Luís Tinoco é um dos representantes daquilo que muitos chamam “Segunda Idade de Ouro da Música Portuguesa”: a actualidade. Não, não é só no fado que Portugal tem quantidade, qualidade e pluralidade. E que tem internacionalização! Disso é este disco exemplo, ao aparecer numa editora global (a Naxos), pela orquestra portuguesa mais internacional – a Orquestra Gulbenkian – e com um maestro norte-americano: David Alan-Miller. A música de Tinoco habita um  soundworld muito próprio: desfila muita “história” ao longo dos quase 67 minutos deste CD, mas a postura do compositor lembra-nos certa característica schubertiana, quando se compraz nas divines longueurs. Há nele uma síntese de várias heranças das vanguardas, mas já bem pessoal e assumida / prosseguida com consequência. Por isso, poderia haver título que melhor exemplificasse a predilecção de Tinoco do que Round Time?… Mas não sejamos redutores, pois as restantes três obras no disco - From the Depth of DistanceSearch SongsCanções do Sonhador Solitário - revelam um compositor atento e receptivo aos impulsos que recebe dos textos (…)
Bernardo Mariano – Diário de Notícias, 11 Outubro 2014

(…) Na música de Tinoco sobressaem atmosferas contrastantes de contemplação (com melodias de sopros e cordas) e de exaltação (com percussões aceleradas e crepitantes). Nesta empolgante composição a partitura coreográfica encaixa perfeitamente: umas vezes segue em paralelo e beneficia da ênfase possível de estados psicológicos assim exteriorizados, outras afirma-se em contraponto, enriquecendo uma paisagem rítmica criada por dois tipos de instrumento, o musical e o corporal. (…)

Paula Varanda – Público – 12 Novembro 2014 [sobre a estreia do bailado "Lídia", com coreografia de Paulo Ribeiro]

(…)  Paulo Ribeiro trabalha sobre a música de Luís Tinoco interpretada ao vivo pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, dirigida por Pedro Neves. O resultado é uma combinação orgânica entre o movimento e o som, entre o rigor dos gestos e as combinações tímbricas. (…)

Daniel Tércio – Jornal de Letras – 12 Novembro 2014 [sobre a estreia do bailado "Lídia", com coreografia de Paulo Ribeiro]

(…) “Before Spring,” a 2013 piece written as a commission to play as prelude to Stravinsky’s “Rite of Spring,” showed Luis Tinoco as both a thoughtful and communicative composer. A personable recorded speech by the composer was followed by a ten-minute work that took Stravinsky’s familiar-yet-still-challenging language and reworked it into a dreamy, cinematic landscape that sounded like a frozen tundra broken increasingly by bursting buds. Long tone clusters, exposed oboe, hovering flutes, staccato piano – all nodded to the great work while creating another completely new one. Finally, with almost all the wind and brass section playing from throughout the auditorium, the piece surrounded the audience in a crescendoing cloud of discord – only to end with that iconic high C on bassoon, hinting at the masterpiece to come. The awed audience member who uttered a solo “Woah!” after the baton dropped summed it up for all of us.

Rosemary Ponnekanti – The News Tribune – 23rd November 2015